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Segunda, 25 Fevereiro 2008 22:11   
Love in the Time of Cholera
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FracoBom 
Cultura

love.jpgO grande romance de Gabriel García Márquez merecia uma melhor adaptação que aquela que fez Mike Newell. O realizador de um “Harry Potter and the Goblet of Fire”, “Donnie Brasco” ou “Four Weddings and a Funeral” perdeu a aposta que tantos cineastas têm evitado fazer: adaptar Márquez ao cinema. A tarefa é titânica porque os livros do Nobel da Literatura são especiais, cheios de magia e de um sensível equilíbrio entre as emoções mais profundas e o ridículo. Muitas das suas personagens são extremamente complexas e ao mesmo tempo pícaras, o que complica profundamente o trabalho dos actores, dos argumentistas e dos realizadores. Ou seja, adaptar Márquez é correr um risco muito elevado.

Florentino Javier Bardem) é um jovem telegrafista que, um dia ao entregar um telegrama ao comerciante Lorenzo Daza (John Leguizamo), dá de caras com a filha deste e fica totalmente apaixonado. Inicia-se uma longa troca de cartas de amor entre Florentino e Fermina (Giovanna Mezzogiorno) que acaba quando o pai da jovem decide separar definitivamente os dois apaixonados, levando Fermina para muito longe. Florentino não desiste e continua a manifestar o seu amor imenso por telegrama até que um dia, Fermina – de regresso à cidade – lhe diz que tudo não passou de uma ilusão.

Contudo, Florentino promete amor eterno a Fermina e decide esperar. A sua mãe (a actriz brasileira Fernanda Montenegro) tenta afastá-lo da cidade com um novo trabalho, mas Florentino regressa e acaba por assistir ao casamento da sua amada com um médico de excelente reputação (Benjamin Bratt). Florentino continua convencido que, um dia, Fermina será sua. Entretanto, o jovem descobre o sexo e enceta uma carreira de Don Juan, anotando num diário todas as mulheres com quem tem relações. Na altura em que Florentino finalmente fica com Fermina – 50 e tal anos depois – tinha contado mais de 600 conquistas.

Com isto já contei o final do filme, mas garanto aos leitores que tudo é previsível neste “Love in the Time of Cholera”. Não há surpresas, não há criatividade na forma de contar a belíssima história que escreveu Márquez. Um texto excepcional que se transformou nas mãos de Ronald Harwood (autor de pérolas como “The Pianist”, por exemplo) e do realizador Mike Newell num argumento caricato, com piadas que metem dó, e momentos dramáticos que fazem rir… quando que não tinham esse objectivo.

Ninguém consegue identificar-se com o drama que vive a personagem de Florentino e isso destrói qualquer hipótese de “Love in the Time of Cholera” ser um bom filme.

Os actores tão pouco ajudam. Bardem, brilhante em “No Country for Old Men”, tem uma das suas piores interpretações de sempre. Os outros actores fazem o que podem, mas muitos deles estão limitados pelo facto de nem sequer estarem a falar a sua língua materna; tal como Bardem. Note-se que nesta produção norte-americana convivem actores dos Estados Unidos, Brasil, Colômbia, Itália, Espanha e México. Claro que será sempre um dilema para as produções americanas escolher uma língua que não seja a inglesa, mas colocar tantos actores a falarem inglês é como uma reunião de trabalho nas instituições europeias. Todas as nacionalidades presentes a falar um inglês por vezes arrepiante é algo que prejudica o filme porque perturba o público que compreende a língua de Shakespeare. Curiosamente, Marquez disse um dia que a língua inglesa não é a mais falada no mundo, mas a mais mal falada no mundo. Esta declaração aplica-se que nem uma luva a “Love in the Time of Cholera”.
O último elemento de artificialidade neste filme é a lógica da idade das personagens. Primeiro, um Javier Bardem ridiculamente velho para a idade que representa. Depois, um elenco que intercala pessoas que não envelhecem nada com algumas em que é aplicada uma maquilhagem exagerada para mostrar alguns anos a mais. E Mike Newell ajuda à desgraça ao fazer grandes planos dos actores.

“Love in the Time of Colera” de Mike Newell, com Javier Bardem, Giovanna Mezzogiorno, Benjamin Bratt, Liev Schreiber, John Leguizamo, Fernanda Montenegro, Catalina Sandino Moreno, Unax Ugalde

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Actualizado em ( Domingo, 24 Fevereiro 2008 22:12 )
 

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