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| Love in the Time of Cholera |
| Cultura | |||
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Florentino Javier Bardem) é um jovem telegrafista que, um dia ao
entregar um telegrama ao comerciante Lorenzo Daza (John Leguizamo), dá
de caras com a filha deste e fica totalmente apaixonado. Inicia-se uma
longa troca de cartas de amor entre Florentino e Fermina (Giovanna
Mezzogiorno) que acaba quando o pai da jovem decide separar
definitivamente os dois apaixonados, levando Fermina para muito longe.
Florentino não desiste e continua a manifestar o seu amor imenso por
telegrama até que um dia, Fermina – de regresso à cidade – lhe diz que
tudo não passou de uma ilusão.
Contudo, Florentino promete amor eterno a Fermina e decide
esperar. A sua mãe (a actriz brasileira Fernanda Montenegro) tenta
afastá-lo da cidade com um novo trabalho, mas Florentino regressa e
acaba por assistir ao casamento da sua amada com um médico de excelente
reputação (Benjamin Bratt). Florentino continua convencido que, um dia,
Fermina será sua. Entretanto, o jovem descobre o sexo e enceta uma
carreira de Don Juan, anotando num diário todas as mulheres com quem
tem relações. Na altura em que Florentino finalmente fica com Fermina –
50 e tal anos depois – tinha contado mais de 600 conquistas.
Com isto já contei o final do filme, mas garanto aos leitores
que tudo é previsível neste “Love in the Time of Cholera”. Não há
surpresas, não há criatividade na forma de contar a belíssima história
que escreveu Márquez. Um texto excepcional que se transformou nas mãos
de Ronald Harwood (autor de pérolas como “The Pianist”, por exemplo) e
do realizador Mike Newell num argumento caricato, com piadas que metem
dó, e momentos dramáticos que fazem rir… quando que não tinham esse
objectivo.
Ninguém consegue identificar-se com o drama que vive a
personagem de Florentino e isso destrói qualquer hipótese de “Love in
the Time of Cholera” ser um bom filme.
Os actores tão pouco ajudam. Bardem, brilhante em “No Country
for Old Men”, tem uma das suas piores interpretações de sempre. Os
outros actores fazem o que podem, mas muitos deles estão limitados pelo
facto de nem sequer estarem a falar a sua língua materna; tal como
Bardem. Note-se que nesta produção norte-americana convivem actores dos
Estados Unidos, Brasil, Colômbia, Itália, Espanha e México. Claro que
será sempre um dilema para as produções americanas escolher uma língua
que não seja a inglesa, mas colocar tantos actores a falarem inglês é
como uma reunião de trabalho nas instituições europeias. Todas as
nacionalidades presentes a falar um inglês por vezes arrepiante é algo
que prejudica o filme porque perturba o público que compreende a língua
de Shakespeare. Curiosamente, Marquez disse um dia que a língua inglesa
não é a mais falada no mundo, mas a mais mal falada no mundo. Esta
declaração aplica-se que nem uma luva a “Love in the Time of Cholera”.
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| Actualizado em ( Domingo, 24 Fevereiro 2008 22:12 ) |
O
grande romance de Gabriel García Márquez merecia uma melhor adaptação
que aquela que fez Mike Newell. O realizador de um “Harry Potter and
the Goblet of Fire”, “Donnie Brasco” ou “Four Weddings and a Funeral”
perdeu a aposta que tantos cineastas têm evitado fazer: adaptar Márquez
ao cinema. A tarefa é titânica porque os livros do Nobel da Literatura
são especiais, cheios de magia e de um sensível equilíbrio entre as
emoções mais profundas e o ridículo. Muitas das suas personagens são
extremamente complexas e ao mesmo tempo pícaras, o que complica
profundamente o trabalho dos actores, dos argumentistas e dos
realizadores. Ou seja, adaptar Márquez é correr um risco muito elevado.






