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| Palma de Ouro para um filme francês |
| Cultura | |||
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{mosimage} O presidente do júri do festival de Cannes 2008 andou 12 dias de mau humor. Sean Penn começou por dar ordens aos outros jurados – proibição de ler as críticas dos filmes exibidos – e acabou por dizer que o filme escolhido teria de reflectir os problemas do nosso tempo. Esta declaração pública, em pleno festival, vai contra todas as regras não escritas do velho e conservador festival e excluía automaticamente vários filmes, nomeadamente aqueles cuja acção se desenrola no passado. Mas Sean Penn não ficou por aí, tendo criticado abertamente a revista "Variety": "trata-se de uma revista obscena que pratica a desinformação". Disseram as más línguas que o realizador - que gostaria de dar a Palma de Ouro ao filme "Che" - não gostou da crítica bastante negativa da revista americana.
O festival deste ano contou com uma selecção muito política e marcadamente social. Talvez por isso Sean Penn tenha afirmado que adorou os filmes que viu. A política italiana esteve muito presente com dois filmes extremamente polémicos: "Gomorra" e "Il Divo" que acabaram ambos por receber prémios.
O primeiro filme, "Gomorra", uma obra reveladora sobre a máfia napolitana, obteve o Grande Prémio do Júri. A projecção do filme teve lugar entre medidas de segurança extremas, já que o autor do livro que inspirou o filme vive escondido e sob ameaça de morte da Camorra, a máfia napolitana.
O segundo filme italiano premiado inspira-se da vida de Giulio Andreotti, um homem que teve uma marca indelével na política transalpina durante 40 anos e a sua relação com as várias máfias italianas. O filme intitulado "Il Divo", realizado por Paolo Sorrentino, obteve o Prémio do Júri.
Os jurados desta edição do festival decidiram também premiar duas figuras históricas do cinema pelas suas longas carreiras: a francesa Catherine Deneuve e o realizador e actor americano Clint Eastwood.
Os actores escolhidos pelo júri foram Benicio del Toro, pela sua interpretação excelente de Che Guevara no filme de Steven Soderbergh, e a brasileira Sandra Corveloni, pelo seu trabalho no filme "Linha de Passe" do brasileiro Walter Salles. Trata-se de dois filmes pouco brilhantes, mas as interpretações dos actores seleccionados foram aplaudidas unanimidade.
Os sempiternos candidatos a prémios, os irmãos belgas Dardenne, tiveram de se satisfazer com o prémio para o melhor argumento para o filme "Le Silence de Lorna", enquanto que o melhor realizador foi o turco Nuri Bilge Ceylan, com "Trois Singes". Por fim, a Palma de Ouro foi entregue, pela primeira vez em mais de vinte anos, a um filme francês. "Entre les Murs" de Laurent Cantet é um filme sobre as dificuldades de um professor de francês e os seus alunos numa escola dos subúrbios de Paris. Misto de ficção e documentário, este filme estará nas salas de cinema no mês de Setembro. A. R. Reis
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| Actualizado em ( Segunda, 26 Maio 2008 18:04 ) |







