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Quinta, 04 Setembro 2008 02:51   
Le Silence de Lorna
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Cultura

silence.jpgLorna (Arta Dobroshi) é albanesa e casa com um toxicómano para obter a nacionalidade belga. O seu novo marido temporário, tem muitos problemas mas a falta de dinheiro parece ser o pior. Lorna tem de partilhar a vida de Claudy (Jérémie Renier) enquanto aguarda que a situação se estabilize e o seu “passador” russo, Fabio (Fabrizio Rongione) lhe encontre outro serviço.

O próximo trabalho de Lorna – já detentora da nacionalidade belga – será casar com um russo que precisa de papéis. Lorna está de acordo com a ideia, sobretudo porque essa operação vai permitir-lhe reunir o dinheiro necessário para abrir o snack-bar com que ela e o seu companheiro Sokol (Alban Ukaj) sonham. Mas Fábio não tem paciência e prefere matar Claudy, em vez de esperar por um divórcio que pode ser demorado. Lorna não está de acordo…
Este pequeno resumo permite, a quem conhece os irmãos Dardenne, adivinhar as crueldades que se seguem. A frieza dos locais e das gentes. A dureza das emoções e as dificuldades de Lorna e de todas as outras personagens.

Como é hábito no cinema dos dois irmãos belgas – que escrevem os argumentos, escolhem os actores – o contexto social de “Le Silence de Lorna” é terrível. As personagens passeiam-se através de ruas cinzentas e frias e, por vezes, cruzam a riqueza inatingível, cuja busca os vai levar à desgraça.
Neste filme, os manos Dardenne parece que tiveram ainda mais prazer do que é habitual ao filmar toxicómanos, prostitutas, e ladrões, pequenos e grandes. Gente capaz de tudo para emergir do mundo cinzento em que vivem para um lugar ao sol.

Mas não são apenas as imagens que chocam o espectador de “Le Silence de Lorna”. O pontencial aborrecimento de receber informação a conta-gotas transforma-se num factor de interesse. O filme vai fornecendo informação tão devagarinho que a intensidade do drama aumenta… dramaticamente.
Depois, o filme sofre uma reviravolta e a Lorna que seguimos durante os dois terços iniciais da história muda e… e eu já não conto mais nada.

Arta Dobroshi nunca tinha feito cinema antes e quase não falava francês quando os Dardenne a convidaram para interpretar Lorna. A naturalidade com que a actriz interpreta um papel difícil como este augura-lhe um futuro risonho. Em Cannes, Arta Dobroshi passeava-se já de “set” em “set” com um à-vontade que só as grandes senhoras do cinema se permitem. Permitam-me que lhes apresente uma futura grande senhora do cinema: Arta Dobroshi.

“Le Silence de Lorna” de Luc et Jean-Pierre Dardenne, com Arta Dobroshi, Jérémie Regnier, Fabrizio Rongione e Alban Ukaj.

Raúl Reis

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Actualizado em ( Quinta, 04 Setembro 2008 02:55 )
 

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