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Quarta, 27 Fevereiro 2008 22:21   
Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street
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Cultura

sweeney.jpgSweeney Todd (Johnny Depp) é uma pessoa; mais propriamente um barbeiro. O senhor Todd, que chama-se na realidade Benjamin Barker, é um dia deportado para a Austrália por um juiz maléfico que tem por único objectivo roubar-lhe a mulher.
O filme começa verdadeiramente com a fuga de prisão de Benjamin, acompanhado de um prisioneiro – ele também londrino – o jovem Anthony (Jamie Campbell Bower).

Benjamin regressa a Londres com sede de vingança e vontade de cortar o cabelo e outras partes do corpo do juiz Turpin (Alan Rickman). O barbeiro fica ainda mais irritado ao descobrir que a sua filha Johanna (Jayne Wisener) é praticamente prisioneira do juiz. Quem lhe conta tudo é a sedutora Mrs Lovett (Helena Bonham-Carter) que vende as piores empadas de carne de Londres.

O barbeiro decide mudar de nome para Sweeney Todd e voltar a exercer a sua profissão. Mas a raiva de Sweeney é tão grande que decide fazer uns quantos melhoramentos na sua barbearia, sendo o principal um alçapão para deixar cair os clientes na cozinha da Mrs Lovett, depois de lhes ter cortado a carótida. A empreendedora senhora utiliza, por seu turno, os cadáveres para melhorar as suas empadas.
A partir daí, as empadas da Mrs Lovett passam a ser as mais procuradas de Londres. Alguns dos clientes acabam mesmo por ir ao primeiro andar para um corte de cabelo depois de terem provado as empadas. Reciclagem perfeita.

“Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street” é um musical, adaptado de um espectáculo teatral. Por isso, o mais importante é a música. O compositor é Stephen Sondheim que tem a responsabilidade de transformar uma história de canibalismo em canções atraentes. Na verdade, os melhores excertos são aqueles em que ninguém canta; com órgãos a vibrar; criando um ambiente adequado a tão cinzenta récita.
O facto de Johnny Depp e Helena Bonham-Carter cantarem a sério, sem dobragem, é por si só uma grande vantagem. Contudo, dei comigo a pensar que, se calhar, era melhor que Tim Burton tivesse transformado algumas cantigas em diálogos normais…
O estilo de todo o filme é 100% Tim Burton. O ambiente é o de Londres de Jack o Estripador ou da adaptações mais cinzentas de Dickens. Uma cidade de sombras onde temos de ter medo; muito medo.

Johnny Depp é excelente, mas faz lembrar ele mesmo. Nuns momentos pensa-se estar a ver Edward Scissorhands, noutros Ed Wood, ou ainda o capitão Jack. Tudo isto é pena, mas a cumplicidade entre Burton e Depp é tão grande que eles já são os seus filmes e as suas personagens.
Helena Bonham-Carter e Alan Rickman mostram gosto naquilo que estão a fazer, embora este último seja mais assustador como professor Snape, nos diferentes Harry Potter.

Uma referência para Sacha Baron “Borat” Cohen que é Pirelli, o barbeiro rival de Sweeney Todd, que não tem tempo para cantar muito porque a sua carreira acaba abruptamente.
Sente-se durante todo o filme o prazer de Tim Burton em mostrar cortes e navalhas e outras coisas assustadoras. O musical mais sangrento da história da Broadway tem em “Sweeney Todd” um sucessor igual no mundo do cinema. Burton foi fiel ao original e, por isso, os potenciais espectadores têm a certeza que neste filme não há um final feliz.

“Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street” de Tim Burton, com Johnny Depp, Helena Bonham-Carter, Alan Rickman, Timothy Spall, Sacha Baron Coen, Jayne Wisener e Jamie Campbell Bower.
Raúl Reis

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Actualizado em ( Domingo, 24 Fevereiro 2008 22:25 )
 

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