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| Lars and the Real Girl |
| Cultura | |||
Um amigo meu estava
interessadíssimo em ver este filme. “Parece que é sobre um gajo com uma boneca
insuflável”, disse-me excitado, “e passa na Ladies Night!”, acrescentou. Como a
dita night - numa atitude claramente
discriminatória - não admite espectadores do sexo masculino, tivemos de deixar
o projecto para depois. Na sexta-feira, “bute lá, que já estreou o filme do
gajo e da boneca”, lembrou-me. Mas o Filipe nem sequer imaginava que se
preparava para a desilusão da vida dele. Meia hora depois de o filme começar,
já se queria ir embora: “E afinal que se passa neste filme? Nada?!”
“Lars and the Real Girl” conta apenas a história de um rapaz cheio de problemas e complexos que vive mais ou menos com o irmão e a sua mulher depois de os pais terem falecido. Lars (Ryan Gosling) segue o conselho de um colega de trabalho e compra uma boneca insuflável de alta qualidade. A entrega da boneca não demora e Lars parece convencido de que se trata de uma mulher a sério. Chama-lhe Bianca e apresenta-a ao irmão (Paul Schneider) e à cunhada (Emily Mortimer). Lars explica-lhes que Bianca é paraplégica, que tem origens dinamarqueses e brasileiras e que trabalhou como missionária. A partir daí, Lars leva Bianca consigo para todo o lado numa cadeira-de-rodas e tem uma explicação para tudo, incluindo o facto de Bianca não falar ou não comer. A vida com Bianca complica-se sobretudo quando Lars a apresenta a outras pessoas e começa a sair com ela. O irmão de Lars não vive muito bem a situação, enquanto que a cunhada parece mais compreensiva. Uma terapeuta (Patricia Clarkson) aconselha-os a aceitar a situação, na esperança de o rapaz mudar a sua atitude. A terapeuta começa a “tratar” Bianca, com a esperança de obter alterações no comportamento de Lars. O filme é todo feito de pormenores e de nuances. A interpretação de Ryan Gosling é excelente e permite ao argumento de Nancy Oliver (autora de “Six Feet Under”) manter-se num nível de tensão emocional que nunca cai na chacota. Muitas das situações são divertidas, mas há sempre algum elemento que nos leva de volta para a terrível realidade: Lars é um homem perturbado, mas o espectador não resiste ao seu charme e à sua triste condição. O mesmo acontece com a maioria das personagens que cruzam Lars e a sua boneca: apesar do ridículo da situação, poucos ousam agredir Lars com a realidade dos factos. Apesar de Lars ter como companheira uma boneca insuflável, o filme não tem nada a ver com sexo e desilude todos aqueles que esperariam que um filme em que uma das personagens principais é uma boneca de encher fosse erótico. Até porque durante todo a película, nada faz pensar que Lars utilize Bianca para aquilo que ela foi concebida. A boneca desempenha simplesmente o papel de um animal de estimação, fazendo companhia a um homem só que tem dificuldades em comunicar com o mundo que o rodeia.
“Lars and the Real Girl” de Craig Gillespie,
com Ryan Gosling, Emily Mortimer, Paul Schneider, Patricia Clarkson e Kelly
Garner.
Raúl Reis
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| Actualizado em ( Terça, 18 Março 2008 16:27 ) |
Um amigo meu estava
interessadíssimo em ver este filme. “Parece que é sobre um gajo com uma boneca
insuflável”, disse-me excitado, “e passa na Ladies Night!”, acrescentou. Como a
dita night - numa atitude claramente
discriminatória - não admite espectadores do sexo masculino, tivemos de deixar
o projecto para depois. Na sexta-feira, “bute lá, que já estreou o filme do
gajo e da boneca”, lembrou-me. Mas o Filipe nem sequer imaginava que se
preparava para a desilusão da vida dele. Meia hora depois de o filme começar,
já se queria ir embora: “E afinal que se passa neste filme? Nada?!”







