|
Manuel Fernandes, um histórico do Sporting, é um treinador sagaz e de muita garra. O Vitória de Setúbal jogou este sábado à imagem do seu técnico e impôs um empate (1-1) ao Benfica, interrompendo a série de cinco triunfos seguidos da equipa de Jorge Jesus na Liga.
“Manel” já esteve perto de parar o Benfica nesta época quando treinava a União de Leiria, mas foi traído por um penálti nos minutos finais (1-2). A história esteve quase a repetir-se, num jogo com muitas curiosidades partilhadas com esse encontro de Leiria (um autogolo de David Luiz, o mesmo árbitro e um penálti no fim). Só que desta vez o guião foi diferente e Cardozo deixou dois pontos na trave da baliza sadina.
Quando as duas equipas entraram em campo, na memória de muita gente pairava ainda a goleada de há cinco meses (8-1) na Luz. Mas, apesar de o Vitória repetir seis titulares desse encontro, os primeiros minutos mostraram algo bem diferente, com os sadinos cheios de garra e com vontade de complicar a vida a um Benfica que, cedo se viu, não estava nos seus melhores dias.
Mesmo com uma produção ofensiva fraca, o Benfica marcou primeiro, juntando duas receitas que lhe têm sido muito vantajosas nesta época: as bolas paradas e os golos cedo.
É que se Aimar perde fôlego, se Saviola não chega para abrir espaços e se Cardozo anda escondido, há sempre cantos e livres. Desta vez foi um canto da direita, com Ricardo Silva a introduzir a bola na própria baliza, depois de um cabeceamento de David Luiz e de um toque de Zoro. Foi o 24.º golo benfiquista de bola parada (quase metade do total) e o 16.º na primeira meia hora de jogo.
O Vitória, porém, não se deixou abater pelo golo. Confirmou os bons sinais e começou por desperdiçar boas oportunidades, por Neca (remate contra David Luiz aos 27’) e Keita (cabeceamento por cima aos 31’). O mérito próprio não deu frutos, mas o labor sadino foi recompensado por pé alheio, neste caso o de David Luiz, que numa tentativa de alívio colocou a bola na baliza de Quim (38’). Uma sensação que o defesa benfiquista já tinha vivido em Leiria, quando Manuel Fernandes, agora em Setúbal, treinava a equipa adversária.
Na segunda parte, a intensidade aumentou e chegaram também os casos. O Benfica (que já na primeira parte tinha reclamado falta sobre Saviola na área) reclamou penálti por mão de Djikiné (não pareceu intencional). Depois foi a vez de o Vitória se queixar de um golo mal invalidado a Keita e de outro fora-de-jogo mal assinalado quando Neca se isolou. E o Benfica ainda se queixou de um lance na área em que Collin acertou mais nas pernas de Di María do que na bola.
Jesus lançou Ramires, Kardec e Nuno Gomes, carregando com cinco avançados sobre um Vitória que começava a dar sinais de cansaço, mas mantinha uma garra elevada, capaz de evitar golos em cima da linha (Ruben Lima, 72’) e até de ver Cardozo atirar um penálti à trave nos descontos, depois de uma falta clara de Zoro sobre Kardec.
Os sadinos acabaram sem fôlego, mas festejaram o empate como se fosse uma vitória. Já Jorge Jesus recolheu aos balneários com apenas um ponto e com a expectativa redobrada para ver o que fará segunda-feira o Braga, que pode reaproximar-se dos “encarnados” e até ultrapassá-los se vencer os dois jogos que tem em atraso.
|